Nangten Menlang - Centro Médico Budista

Palavras de sabedoria

Aqui, Tulku Lobsang partilha os seus pensamentos sobre uma variedade de tópicos. Estas mensagens podem ser praticadas como uma técnica de treino da mente ou Lo Jong.

Podemos deixar a nossa mente reflectir sobre as palavras de Tulku Lobsang, contemplando-as a partir das dez direcções.

Quando nos deparamos com uma nova perspectiva ou ideia, temos a oportunidade de expandir a nossa consciência. Receber as palavras de outro permite-nos experimentar uma perspectiva diferente da nossa.

Esperamos que aprecie a leitura das palavras de Tulku Lobsang e que delas receba algum benefício!

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O Eu

Caros irmãos e irmãs,

Como sempre digo, a finalidade da vida é sairmos do nosso “Eu”, do nosso ego, e assim tentarmos encontrar a nossa verdadeira natureza.

Não se esqueçam de que ao praticarmos no caminho espiritual, não devemos criar um “Eu” maior.
Pelo contrário, definimos uma pessoa espiritual como alguém que — tanto quanto possível — tenta criar um “Eu” menor.
Na nossa vida normal, temos um “Eu” excessivo. Esta é a raiz dos nossos problemas.

Isto quer dizer que, por causa do “Eu”, há uma diferença entre a nossa vida normal e a nossa vida espiritual. Na nossa vida normal, temos um “Eu” excessivo e isso é um problema. Então adoptamos uma prática espiritual e tentamos reduzir o nosso “Eu”. Desta forma, criamos uma separação entre a nossa vida normal e a nossa vida espiritual.

Muitas pessoas com uma prática espiritual criam mais “Eu”. Não entendem a raiz do problema.

Quem impede que nos tornemos pessoas espirituais? Ninguém — apenas o nosso “Eu”. Isto significa que podemos praticar sempre, em qualquer momento, em qualquer altura. Independentemente de qual for a sua prática spiritual, sempre que sentir que o seu “Eu” se reforça, é preciso que tenha consciência de que essa não é a forma certa de praticar.

Sempre que não estiver feliz, sempre que estiver em sofrimento, nesse preciso momento está a sentir o seu “Eu”. Por isso, é importante não esquecer nunca que o objectivo da nossa prática espiritual é reduzir o nosso “Eu”.

Quanto menos “Eu” existir, maior será a felicidade. O “Eu” torna a sua vida muito difícil e dura. O “Eu” é a origem do problema.

Pergunta: Quem pode reduzir o “Eu”?

Você e ninguém mais!

Pergunta: Que método podemos usar para reduzir o “Eu”?

Compaixão e amor incondicional.

Não se esqueçam de que somos todos um pouco loucos!

 
~Tulku Lobsang
Emoção negativa: ego

Às vezes parecemos intoxicados, embriagados com o nosso ego. Somos completamente absorvidos pelo nosso ego e este define as cores de toda a nossa vida, impedindo-nos de nos purificarmos. Apenas falamos a linguagem do ego, de modo que a vida não consegue comunicar connosco e nós perdemos a sua bela mensagem.

A vida é como um paraíso ou céu que apenas fala duas linguagens — a do amor e a da natureza. Mas nós apenas falamos a linguagem do ego. Não falamos a linguagem do amor porque somos demasiado tímidos e perdemos assim a oportunidade de ter o paraíso na terra. Precisamos de aprender a linguagem da natureza e a linguagem da vida e do amor.

Se falarmos a linguagem do amor, não precisaremos de mais nenhuma linguagem. Esta linguagem é o nosso idioma nativo. Todos falam esta linguagem e todos querem ouvir esta linguagem. Se a falarmos, estaremos a reduzir os nossos problemas porque, sem esta linguagem, não é possível entender e estabelecer uma ligação com os outros.

Na maioria das vezes, falamos a linguagem das emoções negativas que deixa em nós uma sensação de solidão. Por isso, temos de falar com compaixão a linguagem do amor. O ego não é uma verdadeira linguagem, uma vez que não consegue comunicar. Quando falamos a linguagem do amor e da compaixão, a nossa comunicação com os outros é eficaz e benéfica. Sem esta linguagem não é possível experimentar sentimentos positivos e a vida começa a parecer-nos um inferno.

Quem falar com amor e compaixão será a pessoa mais sábia do mundo. Conseguimos resolver qualquer problema se falarmos esta linguagem.

O amor é a linguagem de Deus. O amor é a linguagem da natureza. O amor é a linguagem de todos os seres humanos.

 
~Tulku Lobsang
Emoção negativa: raiva

A raiva cria o que não queremos. A raiva traz até nós o que não queremos por perto. Naturalmente, tudo o que não queremos, o que não nos faz felizes, está longe de nós. Mas, por causa da raiva, aproxima-se. A raiva queima toda a nossa felicidade. Por isso, a raiva é a maior criadora de sofrimento.

Não esqueçam que somos o exército da raiva. O que quer que a raiva diga, o que quer que a raiva ordene, nós fazemos — mesmo que magoe os que nos são mais próximos e queridos. Vamos cegamente atrás da nossa raiva.

Por vezes, zangamo-nos por causa do sofrimento de outros. Por vezes, zangamo-nos por causa da felicidade de outros. Por causa do nosso próprio sofrimento, fazemos com que os outros se zanguem; por causa do sofrimento ou felicidade dos outros ficamos nós zangados.

Qual o sentido de nos zangarmos connosco mesmos ou com os outros?

Por causa da raiva, rapidamente aprendemos do que não gostamos, porque a raiva é um íman do que não gostamos. Somos mesmo doidos!

Os que nos fazem mais felizes são também os que causam em nós mais raiva! E é claro que aqueles de quem não gostamos também nos causam raiva.

Por isso, pratiquem a paciência. Pratiquem a disciplina e a paciência. Só assim não queimarão o vosso belo jardim, a vossa maravilhosa vida.

Não me digam, "Tulku Lobsang, o que está a dizer é verdade, mas é muito difícil de conseguir." Sei que vão dizer isto! Mas ao pensarem que algo é difícil, estão precisamente a fazer disso algo difícil. Se não acharem difícil, garanto-vos que não vai ser difícil. A dificuldade existe apenas na vossa cabeça.

Por isso, para reduzir a raiva, pratiquem a paciência.

 
~Tulku Lobsang
Ano novo, vida nova

Todos os anos a vida nos dá uma oportunidade de renovação, uma nova maneira de vivermos a nossa vida. O sentido de festejarmos o Ano Novo é deixar para trás todo o stress mental, emoções negativas, histórias passadas e tudo o que nos faz infelizes, para que possamos transformar-nos noutra pessoa com uma vida nova. O Ano Novo não significa que algo acaba, mas antes que algo novo começa, como se acontecesse um pequeno parto. Esta festividade traz-nos energia renovada e uma mente positiva, que são a essência do Ano Novo. O Ano Novo pode transformar-nos em pessoas novas que vivem a vida de outra maneira. O presente do Ano Novo é a oportunidade de um completo renascimento.

Para recebermos a oportunidade de mudança, temos de prometer a nós mesmos que vamos disciplinar-nos. O que quer que prometamos a nós mesmos tem de ser combinado com disciplina; caso contrário, voltaremos às nossas velhas estruturas. Com disciplina, as nossas promessas podem tornar-se reais. Uma disciplina pode ajudar-nos e salvar-nos de muitas situações difíceis na vida.
Se quisermos realmente uma vida nova, precisamos de disciplina.

 
~Tulku Lobsang
Entender a mudança

É importante ter a aspiração de manter um corpo saudável e um estado mental positivo. É certo que todos temos esta aspiração em maior ou menor grau, mas não basta tê-la. Todos desejamos não estar doentes e também ter uma forma física invejável. Para alcançar estes objectivos ou quaisquer outros, é necessário outro factor mental — a resolução para agir.

Se não formos capazes de transformar o nosso estado mental numa decisão motivada, acabaremos por sofrer. Um desejo que não conseguimos concretizar, dá origem a este sofrimento. Uma aspiração é como um sonho. A decisão de agir transforma o sonho em realidade. Nada é impossível se aplicarmos métodos capazes.

É importante analisar primeira a aspiração e determinar se tem natureza positiva ou negativa. Vai contribuir para o nosso equilíbrio? Se for este o caso, entre os inúmeros desejos que todos temos, a nossa escolha para agir foi acertada.

Por que motivo, às vezes, não conseguimos tomar uma decisão firme? É por abrigarmos dúvidas dentro de nós. Quando duvidamos das nossas aspirações temos medo de cometer erros. Não temos a certeza sobre o que deve ser feito e, por isso, não fazemos nada. Os maiores obstáculos são o medo e a dúvida, que nos impedem de tomar uma decisão. Impedem-nos de concretizar os nossos sentimentos e sensações na realidade diária e este é, na verdade, o maior erro de todos. Quando temos determinação e aplicamos o esforço certo, tudo é possível.

 
~Tulku Lobsang
Como proteger-nos

Todos querem sentir-se protegidos. Acreditamos que isso nos acalma e relaxa e que, assim, nos sentimos mais aconchegados. Sempre que nos sentimos seguros, com uma determinada pessoa ou num determinado lugar, dizemos que nos sentimos “em casa” com essa pessoa ou nesse lugar. O que quer dizer sentir-se “em casa”? Sentir-se “em casa” é sentir-se seguro. Todos queremos isto. Sentir-se totalmente “em casa” equivale a sentir-se totalmente seguro.

Como é possível alcançar uma sensação de estarmos "absolutamente em casa"? No amor encontramos o nosso lar absoluto. Por causa do amor, protegemo-nos menos. Quanto mais amor temos, menos protegidos estamos. Se tivermos menos amor, protegemo-nos mais. Quanto mais nos protegemos, mais problemas arranjamos. Apercebemo-nos de mais problemas e deparamo-nos com mais problemas. Quando temos mais amor, protegemo-nos menos e isto faz com que nos apercebamos de menos problemas e, simultaneamente, nos deparemos com menos problemas. Quando não nos protegemos, ficamos em total segurança. Por isso, não se protejam; esta é a melhor protecção. Se tiverem mais guardas, terão mais inimigos. Se tiverem menos guardas, menos protectores, terão menos inimigos.

Por que digo, "Não se protejam?" Porque estamos naturalmente em segurança. Vivemos, e esta é a nossa natureza. Naturalmente, estamos em segurança. A nossa natureza tem um carácter de segurança. Mas, quando começamos a proteger-nos, saimos da nossa natureza e tornamo-nos em estranhos. Quanto mais nos protegemos, mais estranhos nos tornamos. Quando nos assumimos como estranhos perante os outros, assumimo-nos como diferentes dos outros. Tornamo-nos especiais. E ao tornarmo-nos especiais, arranjamos mais inimigos e mais problemas. "Não se protejam” quer dizer "sejam normais." Ser normal significa não ser diferente dos outros. Isto significa ainda que teremos muito menos problemas com os outros.

O método-chave para ficarmos em total segurança é não nos guardarmos. Esta é a melhor forma de nos protegermos. Se quiserem estar absolutamente seguros, não se protejam. Quanto mais guardados estiverem, mais inseguros estarão a nível mental e psicológico. Não protejam. Não há exemplo no mundo de alguém que se tenha protegido a si mesmo de tal forma que tenha encontrado um local absolutamente seguro e uma sensação de total segurança. Não há exemplo de tal ter acontecido.

Sejam como um yogi.

Meus amigos, dizer-vos "Não se protejam" é sabedoria louca. Mas se se protegeram, isso será estupidez mental. Façam a vossa escolha! Querem ser loucos ou estúpidos? Os yogis dizem "Vocês acham que eu sou louco e eu acho que vocês são loucos, mas eu sou louco por amor e vocês são loucos por sofrimento." Quando queremos ser felizes, temos de ser loucos. A felicidade vem com a loucura. Mente louca e destemida. Este é um excelente método para libertar a mente. Abandonem o medo e fiquem em segurança. Acham-me louco? Ou acham-se loucos? Ha! Ha!

 
~Tulku Lobsang
Preguiça

Temos muitas razões para ser felizes e temos muitas oportunidades de ser felizes, mas dizemos que não temos tempo. Na verdade, não temos coragem de aproveitar todas estas oportunidades. Mesmo assim, nem sequer entendemos que não estamos a aproveitar estas oportunidades ou estas razões para sermos felizes. E continuamos à procura de mais oportunidades. Mas não importa quanto procuremos, não importa o que recebamos, nunca temos tempo e nunca temos o poder de ser felizes com estas oportunidades ou razões para sermos felizes.

Tudo isto por causa da nossa preguiça. Buda disse que, com preguiça, não é possível fazer nada. Por isso, a preguiça é o nosso problema-raiz. Este é o nosso principal problema.

Somos demasiado preguiçosos para sermos felizes. Não porque não podemos ser felizes, não porque não temos motivos para sermos felizes. Temos motivos. Nós somos felicidade. Mas somos demasiado fracos, demasiado preguiçosos para sermos felizes. Não porque não somos felizes, não porque não temos motivos, mas por causa da preguiça.

Assim, se quisermos realmente ser pessoas felizes, precisamos de praticar a disciplina. Disciplina significa que precisamos de autocontrolo e auto-empenho. Quem não estiver empenhado e quem não tiver autocontrolo, não tem disciplina. E se não tiverem disciplina, não têm consciência mental. Se não tiverem consciência mental, não têm atenção plena. Isso significa que nunca verão aquilo que têm. Nunca sentem aquilo que têm. Durante toda a vida, sofrem de uma espécie de cegueira. Não têm a coragem de ver as coisas, de receber as coisas. Sem atenção plena, consciência mental, independentemente do que tivermos, nada fará sentido. Por isso, a preguiça é o problema.

Há um medicamento para sermos menos preguiçosos. É preciso acreditar. É preciso acreditarmos em nós. Acreditar em si mesmo é o caminho para sairmos da preguiça. Acreditar é algo muito poderoso para a mente. Por isso, precisamos de praticar acreditar em nós. Até atingirmos a iluminação, precisamos de coragem. Precisamos de coragem enquanto tivermos um problema com a preguiça. Isto significa que, sem acreditarmos, não há forma de nos melhorarmos a nós mesmos. Mantemo-nos iguais, no mesmo ponto de sempre. Nada flui.
O objectivo da vida é atingirmos a iluminação. Isto significa encontrar a felicidade incondicional. Se quiserem percorrer este caminho, então precisam de acreditar. Caso contrário, a preguiça nunca nos deixará ir nessa direcção. A preguiça empurra-nos sempre para baixo. Não sejam amigos da preguiça. Mas como encontram a preguiça em todo o lado — é como a Coca-cola — é fácil tornarem-se amigos da preguiça. Mas esta não é uma boa amiga para nos acompanhar no caminho da vida no Samara!

 
~Tulku Lobsang
Amor

Na nossa vida humana, há uma coisa importante que temos de fazer — apaixonar-nos. Independentemente do tipo de pessoa que somos ou do tipo de religião que praticamos, temos todos o mesmo objectivo. Todos queremos ser pessoas felizes.

Apaixonarmo-nos é a única forma de nos fazermos felizes. Por isso, se me perguntarem qual a finalidade da vida ou se me perguntarem por que fazemos tantas coisas na nossa vida, a minha resposta é que fazemos todas estas coisas para nos apaixonarmos. Quando conseguimos, não precisamos de mais nada. Não precisamos de fazer mais nada. Este é o sentido da vida. A vida passa a ter sentido.

O melhor de tudo é que, a partir do momento em que nascemos, todos temos o direito de nos apaixonarmos. Não é preciso comprar nada. Não é preciso pedir autorização a alguém para amar, porque nós já somos amor. De alguma forma, é algo muito simples, porque não precisamos de estudar para nos apaixonarmos por alguém. Isto porque nós somos amor.

Amor é vida. Desde que tenhamos amor, cada momento da vida tem sentido. Nunca encontraremos este sentido na vida fora de nós mesmos, porque somos nós mesmos que o damos. E o amor é a única forma de nos sentirmos a nós mesmos. O amor é a única forma de nos vermos. Assim, quando temos amor, temos tudo. Quando perdemos o amor, perdemos tudo. Por causa disto, temos todos de praticar o nosso amor inato. É por isso que somos tão especiais, porque somos amor.

Concluindo, a minha mensagem é: há uma coisa importante que temos de fazer na vida e que é amar. Só isso. Nada mais.

 
~Tulku Lobsang